ASAS – 1929
FICHA TÉCNICA:
Título Original: Wings
País: Estados Unidos
Ano de produção: 1927.
Duração: 138 min.
Direção: William A. Wellman.
Gênero: Drama de Guerra , cinema mudo.
História: John Monk Saunders.
Música: J. S. Zamecnik.
Roteiro: Hope Loring e Louis D. Lighton
Elenco: Clara Bow, Charles “Buddy” Rogers, Richard Arlen, Gary Cooper, Jobyna Ralston, Arlette Marchal, El Brendel, Henry B. Walthall, Roscoe Karns, Hedda Hopper, Richard Tucker, Roscoe Karns.
Sinopse: A aviação americana na I Guerra Mundial é vista neste épico, sob o ponto de vista de dois pilotos, de classes sociais diferentes, que amam a mesma mulher.
Estúdio: Paramount.
FRASE DO FILME:
Este filme é inteiramente dedicado aos tais jovens guerreiros do céu, cujas asas os transformaram em anjos para sempre.
eranças de conquistar o coração de Jack e se alista para servir na guerra, apesar dele não demonstrar interesse pela moça. No clímax do filme (no momento da histórica Batalha de Saint-Mihiel) uma série de eventos coloca os dois protagonistas em uma difícil situação.
CONTEXTO HISTÓRICO DA ÉPOCA DA PRODUÇÃO DO FILME:
Estamos na época do cinema mudo, a comunicação dramática é praticamente visual, então os melhores atores são aqueles que conseguem exprimir carga emocional através de expressões faciais e corporais. Sim, excesso de “caras e bocas” era o fundamental.
Não havia cor para aumentar ou atenuar a carga dramática. Os efeitos especiais eram rudimentares. Tanto que o diretor da Paramount , Adolph Zukor , inicialmente foi contra o projeto do filme, pois segundo ele não via sentido num filme que mostraria “pontinhos no céu”
Antes desse filme as cenas com aviões, nos filmes, eram todas com miniaturas. Ninguém nunca tinha feito um filme de guerra com batalhas aéreas e existiam poucos filmes sobre a 1ª Guerra, pois estava recente e era um tema ainda delicado e sofrido para as pessoas.
PRODUÇÃO DO FILME:
Felizmente o projeto do grande romance e da batalha áerea, que se chamaria: Wings (Asas) vingou. O diretor escolhido, William A. Wellman (ex-piloto e veterano da I Guerra Mundial), no entanto, quando assumiu a direção do projeto já haviam passados 4 meses de pré-produção. Clara Bow, era a maior estrela mundial da época e por isso o estúdio já a havia escolhido, como atriz principal, para garantir um filme com grandes astros. Mas Wellman resolveu mudar logo as regras, ao contratar desconhecidos para os papeis principais, que foram Charles Buddy Rogers e Richard Arlen (que havia sido também piloto na Força Aérea Real do Canadá).
Logo no início o diretor percebeu que para dar sensação de vôo e clima de realidade eles tinham de colocar a câmera no ar. Os aviões, que eram feitos quase todos de madeira, arame e lona, logicamente trepidavam muito, o que dificultou muito o trabalho. Portanto, foram necessárias várias tentativas até descobrir-se que tinham de parafusar a câmera na fuselagem. Esse foi o 1º filme com atores filmados no ar, pois - sim! - os atores tiveram de pilotar de verdade.
O diretor ainda insistiu que um dos papéis mais importante do filme seria o do cadete White, pois embora de participação curta ( menos de 5 minutos) era um personagem chave e exigia um ator com carisma especial para o público se lembrar durante toda trama. Segundo Wellman, Gary Cooper, um ator de 26 anos até então desconhecido, foi escolhido depois de considerarem 35 atores. Quando o filme estreou Gary Cooper virou um astro. Sua pequena cena o transformou numa sensação instantânea. E a partir daí ele se transformou no maior astro da Paramount e um dos grandes de Hollywood.
REPERCUSSÃO DO FILME:
Asas (Wings) foi sucesso imediato de bilheteria e o responsável por uma das primeiras choradeiras generalizadas, de que se tem registro, nas salas de cinema. O filme foi exibido mais de 2 anos, depois da estreia em Nova York, com orquestra completa, efeitos de som e magnascope.
Na primeira cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (na época ainda não denominado Oscar), ocorrida em 1929, para premiar os filmes de 1927 até meados de 1928, não havia ainda uma categoria definida de Melhor Filme. Naquele ano foram entregues os prêmios: Melhor Produção para Asas (Paramount); Melhor Produção de Qualidade Artística para Aurora (Fox).
No ano seguinte a Academia decidiu instituir o prêmio de Melhor Filme e, considerando este equivalente ao prêmio dado a Asas anteriormente, consagrou Asas como o primeiro vencedor da história do Oscar de Melhor Filme. Sendo esse, durante muitos anos, o único filme mudo a ser premiado nessa categoria, até 2012, quando o filme “O Artista” ganhou.
Além do prêmio de Melhor Filme, Asas também recebeu o de Melhores Efeitos de Engenharia, dado ao técnico Roy Pomeroy , equivalente hoje ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais.
Houveram grandes desentendimentos entre o diretor e o estúdio durante as filmagens (explicado melhor no próximo post). Devido esse ressentimento o estúdio não convidou o diretor para essa estreia do filme em Nova York e nem para a entrega do Oscar.
PONTOS FORTES:
O filme tem por base cenas de ação e acrobacias aéreas extraordinárias e sua sequências de batalha aérea, que se achava impossível de filmar na época, bem como a sequência da batalha final, ainda estão entre as melhores da história do cinema.
Numa época que não existia cor, foram muito bem-vindas as sequências aéreas projetadas em Magnascope, ilustradas de uma forma não natural - pintadas a mão, que coloriram a chama do disparador dos aviões, o fogo e a fumaça dos aviões caindo; além da troca da cor de fundo das cenas, para imprimir emoção.
Outra característica importante é a fotografia do filme que dá a impressão de que cada cenário, locação, intensidade de luz e sombra foi minuciosamente pensado.
Apresenta ainda um trabalho muito eficiente com o fundo de telas da legenda, personalizado de acordo com a cena e com momento do drama. E as bolhas imaginárias que o Jack vê, quando está bêbado, dão um toque divertido e são visualmente bem elaboradas (hoje pueril, eram inéditas na época). Nesse mesmo argumento se encaixa também a estrela cadente, que ilustra a cena final.
CURIOSIDADES:
1. Consta sempre referência como esse ser o primeiro longa a mostrar um beijo entre 2 homens. Trata-se de um beijo na face, entre os personagens Jack Powell e David Armstrong , numa das cenas finais. E foi apresentado de forma fraternal, absolutamente não-sexual e não-erótica. Essa troca de beijos na face, entre homens, era muito comum na I Guerra Mundial. Na verdade era também normal, naquela época, o famoso “selinho” entre familiares. Vários filmes da época retratavam isso, como: “Melodia da Broadway (1929)”, onde as irmãs e cunhados também o fazem; “Nada de Novo no Front (1930), onde mãe e filho e irmãos também trocam selinho. Esses filmes citados também são ganhadores do Oscar de Melhor Filme;
2. A personagem Mary (Clara Bow) viveu um papel avançado para época, pois se alista no exército como motorista de ambulância e ainda se finge de prostituta para disputar o “seu homem”. Além de aparecer semi-nua no filme (fato que gerou muita controvérsia).
3. Clara Bow, era considerada a maior estrela da época e tinha direito a interferir inclusive no roteiro. Fato que ocorreu, quando ela reescreveu o roteiro e acrescentou 2 cenas para aumentar sua participação no filme. A atriz também ficou chateada por ter de usar farda militar e isso ofuscar a beleza da sua imagem. Para resolver esse problema chamaram a então desconhecida figurinista Edith Head ( a mulher que recebeu mais indicações, em toda a história do Oscar), que - suplantando os outros figurinistas - criou o genial uniforme da atriz no filme.
4. Os atores Richard Arlen, intérprete de David Armstrong, e Jobyna Ralston, que representou a Sylvia Lewis, se conheceram durante as filmagens, se apaixonaram e se casaram no ano do lançamento do filme.
5. Gary Cooper e Clara Bow se conheceram nesse filme e posteriormente tiveram um caso romântico.
6. Um piloto do exército morreu durante as filmagens, em uma queda de avião, e Wellman temia que isso forçasse a interrupção das filmagens. Após uma perícia, o exército culpou o piloto pelo acidente e não o diretor.
7. Esse se tornou o primeiro de muitos filmes sobre aviação dirigido por William A. Wellman, que era um piloto veterano do renomado Esquadrão francês Lafayette Flying Corp da Primeira Guerra Mundial. O avião pilotado por ele foi batizado de “Celia”, em honra à sua mãe e a ele são dados os créditos de três registros de derrubada de aviões inimigos, além de cinco outras prováveis derrubadas. O avião de Wellman foi abatido e ele sobreviveu à queda, mas se tornaria manco pelo resto da vida.
8. Houve participação no filme da esposa e filha adotiva do diretor, numa das cenas finais. Bem como do assistente de direção, Charlie Barton, na divertida cena que representou o rapaz atropelado pela ambulância de Clara Bow. E até o próprio diretor representando um soldado na Batalha de Saint-Mihiel que é alvejado e morre (de um modo bem teatral).
9. O diretor, William A. Wellman, antes de Asas dirigiu 11 filmes, sendo a maioria faroestes do tipo B. Depois desse filme, foi subindo cada vez mais alto. No total fez 76 filmes, que tiveram 32 indicações ao Prêmio da Academia e ganhou 7 estatuetas do Oscar. Ficou conhecido também por filmes como: Nada é sagrado, Nasce uma estrela, Inimigo público, Beau Geste. Foi indicado 3 vezes, mas nunca ganhou o Oscar de melhor diretor. No final da vida ele revelou em entrevista: “O filme de que mais tenho orgulho é Asas”.
9. Por muitos anos se pensou que o filme havia sido perdido. No entanto, uma cópia encontrada na Cinémathèque Française na década de 1980 trouxe grande alívio ao estúdio e fãs de cinema. Porém devido ao grande desgaste da película as cópias disponíveis são completamente restauradas.
10. Apenas Asas (1929), Grande Hotel (1933), Conduzindo Miss Daysi (1990) e Argo (2013) ganharam o Oscar de Melhor Filme sem serem indicados também na categoria de Melhor Diretor.
INDICO:
Pessoas que gostam de épicos de guerra, clássicos do cinema mudo, filmes históricos do cinema e/ou da guerra.
Interessados na evolução de efeitos especiais do cinema.
E quem, como eu, está assistindo todos os filmes do Oscar.
OPINIÃO:
Um grata surpresa.
Fiquei curiosa de conhecer outros filmes desse grande diretor.
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